Alexandre Porto
SOLAR DO JAMBEIRO VIVERÁ UM NOVO TEMPO



(Memoria, 29 de agosto de 1997)

O belo Solar do Jambeiro que, no passado, foi palco de saraus, festas de alta sociedade, encontros culturais e até mesmo de produções televisivas de cunho histórico -, está prestes a retomar o glamour que marcou seus salões no início do século. O primeiro passo, nesse sentido, foi dado pela Prefeitura de Niterói no dia 12 de agosto, com a publicação de decreto anunciando a desapropriação do imóvel e sua transformação em bem de utilidade pública. A reforma do palacete da Rua Presidente Domiciano, 195, deverá começar em breve.

Construído em 1872 pelo rico português Bento Joaquim Alves Pereira, que nunca chegou a viver nele, o Solar do Jambeiro é classificado, hoje, por especialistas em patrimônio, como um dos exemplares mais significativos do estilo arquitetônico urbano usado no Brasil na segunda metade do século XIX. Anterior à assinatura da Lei Áurea e à Proclamação da República, o palacete "assistiu" a essas e a tantas outras mudanças históricas radicais acontecidas nos vilarejos e arredores da Corte Portuguesa no Rio de Janeiro daquela época. Comprado em 1892 pelo embaixador dinamarquês Georg Cristian Bartholdy o Solar serviu, antes disso, de morada para inquilinos de renome, entre eles o médico Júlio de Magalhães Calvet e o pintor Antonio Parreiras. A família Bartholdy só viria a firmar raízes no antigo Palacete em 1916. Isso por causa do trabalho diplomático de Georg, que o afastava frequentemente de sua residência.

As obrigações como embaixador fizeram Georg optar pelo aluguel do Solar a diversas instituições. Fundado em 1899, o Clube Internacional foi um dos primeiros a instalar-se no palacete dos Bartholdy, em 1903, dando início a um rosário de festas, bailes, exposições, conferências e concertos, ligados para sempre à história da casa. Em 1911, o versátil Solar foi ocupado por um colégio, que ali permaneceu por cinco anos até a volta definitiva da família dinamarquesa a Niterói. Com a morte de Georg Bartholdy, em 1946, e de sua esposa Celina Olga, em 1950, o casarão passou às mãos de Vera Fabiana Bartholdy Gad, que comprou de todos os irmãos as partes doadas em herança. Um ano antes de falecer, em 1975, Vera requisitou, com ajuda da nora, Lúcia Falkenberg, o tombamento do imóvel à Secretaria de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan).

Lúcia Falkenberg tomou conta do Solar por pouco mais de 30 anos. A década de 80, no entanto, se revelou dispendiosa para a família, que se viu às voltas com sérias dificuldades para sustentar os gastos representados pela limpeza e manutenção do antigo imóvel.

A escassez de recursos levou o palacete à leilão, em 1988. O negócio, porém, não chegou a se concretizar. Móveis de época, pratarias e outros lotes de objetos históricos, no entanto, foram arrematados, descaracterizando o interior do sobrado, hoje vazio.

Retorno às Origens

A última vez que a família Falkenberg tentou se desfazer do Solar do Jambeiro foi em abril do ano passado, 1996, quando o palacete foi colocado à venda. Lúcia, já morando em Santos, no litoral paulista, se rendeu definitivamente às dificuldades financeiras. E o sobrado, que serviu de cenário para as filmagens das minisséries "Lucíola", baseada em obra homônima de José de Alencar, "O Primo Basílio", de Eça de Queirós; e "Incidente em Antares", de Érico Veríssimo, declinou pela ação do tempo e dos cupins.

Os azulejos portugueses, os beirais do telhado confeccionados em louça e as janelas em folhas de vidro já disputavam, naquela época, a atenção dos poucos visitantes com os esfomeados insetos. Implacáveis, os cupins destruíram - e continuam destruindo assoalhos de madeira centenária e forros ricamente decorados. A partir da desapropriação, a Prefeitura pretende recuperar as estruturas do prédio.

Uma das ideias em estudo pelo prefeito Jorge Roberto Silveira para ocupar o local, é transformar o sobrado em cenário para eventos culturais, literários e artísticos. Caso venha a se concretizar, a proposta, significará um retomo às origens do palacete. Parece que é obra do destino.

Por Isabela Bastos, para O Fluminense



Publicado em 07/05/2021









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Com formação em Engenharia Florestal, eu, Alexandre Porto, já fui produtor orgânico de alimentos e apicultor, mas hoje ganho a vida como escriba (Enciclopaedia Britannica do Brasil, Fundação de Arte de Niterói). Há 20 anos me dedico a pesquisar a História de Niterói, minha cidade natal, do Vasco, meu incompreendido time de futebol, e da Música Popular Brasileira, minha cachaça. Por 15 anos mantive uma pioneira rádio online no Brasil, a "Radinha". Pra quem quiser me encontrar nas redes, seguem os links:
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