Alexandre Porto
PROJETOS RESTAURAM A HISTÓRIA DE NITERÓI



(Memória, 22 de novembro de 1997)

O patrimônio cultural e artístico de uma cidade de mais de quatro séculos não pode ser desprezado. É verdade que muitos prédios e registros históricos foram destruídos ao longo do tempo, mas Niterói ainda tem valiosos monumentos. Um deles é o Solar do Jambeiro, casarão centenário que finalmente teve sua vocação descoberta e deve abrigar uma coleção de arte e sediar pequenos concertos de música.

A restauração está sob a responsabilidade da mesma equipe que recuperou o Teatro Municipal João Caetano, palco das apresentações da primeira Companhia Dramática Nacional. Com talentos reconhecidos nas diferentes expressões artísticas, a cidade testemunhou o despontar do ator Leopoldo Froes e as incursões do Grupo Grimm à Boa Viagem na busca do desenvolvimento da pintura ao ar livre. Isso apenas para citar alguns exemplos já que existem muitos.

Hoje a Niterói antiga vem sendo resgatada através da revitalização dos seus conjuntos arquitetônicos. O primeiro da lista é o da Ponta D'Areia, seguido do Centro, Gragoatá, Boa Viagem e Ingá, bairros que também abrigam edificações que marcaram época. O município possui, ainda, muitas construções tombadas que mapeiam a presença dos jesuítas e outros importantes acontecimentos. Basta citar o período no qual sediou o governo do antigo Estado do Rio de Janeiro. Os sambaquis de Itaipu remontam a um passado ainda mais distante. São heranças impossíveis de serem esquecidas sem que os niteroienses corram o risco de perder a própria identidade.

O Jambeiro é uma viagem ao passado

Enquanto o MAC serve de referencial para tudo o que é contemporâneo em Niterói e aponta para o futuro, o Solar do Jambeiro deve se transformar no símbolo do passado. O projeto de reforma do casarão, desapropriado recentemente pelo município, foi iniciado e a sua vocação também já está definida. O prédio, construído em 1872 e considerado como principal representante da arquitetura portuguesa na cidade, será decorado por uma coleção de paisagens fluminenses pintadas no final do século passado e móveis desse mesmo período. O jardim que, assim como o primeiro pavimento, vai ser aberto à visitação, deve abrigar uma casa de chá e sediar pequenos recitais de música.

Já o segundo andar será reservado à Prefeitura e terá um gabinete de representação, para receber autoridades politicas e personalidades, e uma sala para reuniões do Conselho Municipal. Esse pavimento também vai abrigar quadros e móveis de época. "A maior parte das pinturas paisagísticas brasileiras do século passado foi feita em Niterói mas ainda não temos na cidade obras de artistas representativos como Castagneto", afirma o restaurador Cláudio Valério Teixeira, responsável técnico pelas obras de reforma do Solar do Jambeiro.

Cláudio Valério, que assumiu este ano a presidência da Fundação de Arte de Niterói (FAN), também esteve à frente do restauro do Teatro Municipal João Caetano e convocou a mesma equipe para o Jambeiro. "O projeto técnico já está em andamento e engloba a recuperação dos elementos artísticos e o novo uso do prédio", explica. As primeiras etapas da obra são a descupinização com gás e barreira química e a reforma do telhado. "O estado do solar é emergencial. Os tetos em gesso estão desabando, a fiação elétrica mal conservada e os tapetes de azulejos já tiveram grande perda de vidrado", lamenta.

O Fluminense



Publicado em 07/05/2021









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Com formação em Engenharia Florestal, eu, Alexandre Porto, já fui produtor orgânico de alimentos e apicultor, mas hoje ganho a vida como escriba (Enciclopaedia Britannica do Brasil, Fundação de Arte de Niterói). Há 20 anos me dedico a pesquisar a História de Niterói, minha cidade natal, do Vasco, meu incompreendido time de futebol, e da Música Popular Brasileira, minha cachaça. Por 15 anos mantive uma pioneira rádio online no Brasil, a "Radinha". Pra quem quiser me encontrar nas redes, seguem os links:
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