Alexandre Porto
PRESENTES DE GRANDE VALOR HISTÓRICO



(Memória, 11 de novembro de 2001)

Para comemorar o aniversário de Niterói - que acontece no próximo dia 22 - em grande estilo, estão sendo devolvidos à população dois bens históricos totalmente restaurados. São eles, a Igreja de São Lourenço dos Índios, no bairro de São Lourenço, e o Solar do Jambeiro, em São Domingos. A partir de 23 de novembro, as duas valiosas edificações poderão ser visitadas pelo grande público.

Os trabalhos de restauração tiveram a coordenação de Cláudio Valério Teixeira, presidente da Fundação de Arte de Niterói (FAN) e coordenador do Núcleo de Restauração do Teatro Municipal. "Foram dois grandes trabalhos, por serem monumentos muito importantes. É sempre um desafio realizar obras dessa envergadura. Coordenei essas restaurações contando com muitos e bons profissionais, entre eles, o artista argentino Domingo Isaac Tellechea".

Igreja de São Lourenço dos Índios

As origens da Igreja de São Lourenço remontam a 22 de novembro de 1573, quando Martim Afonso de Souza tomou posse de sua sesmaria, formando com os jesuítas o Aldeamento de São Lourenço dos Índios. Este resultou em uma pequena capela em taipa - uma edificação primitiva que deu lugar outra construção, inaugurada em 1586. Por volta de 1627, a então pequena e tosca capela foi substituída pelos jesuítas por uma construção mais sólida em pedra e cal. No ano de 1769, houve uma reconstrução, mantendo as características jesuísticas e em 1866, a igreja passou a pertencer à Mitra de Niterói.

No ano de 1915, o prefeito Manoel Otávio de Souza Carneiro ordenou sua desapropriação, por considerá-la um monumento histórico nacional. Dezenove anos depois, a igreja foi cedida à Prefeitura, passando, então, por inúmeras obras de conservação e consolidação. Em 12 de janeiro de 1948, o monumento foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e, em 1992, pelo município.

A Prefeitura de Niterói iniciou os estudos para a elaboração do Projeto de Restauração da Igreja de São Lourenço dos Índios em maio de 1999. As prioridades para a intervenção restaurativa foram a pesquisa histórica, o restauro artístico, a arqueologia e as obras civis.

A pesquisa somada ao processo de recuperação física fizeram com que fossem encontrados novos elementos históricos. O restauro artístico envolveu o retábulo e o orago e foi executado pelo Prof. Domingo Isaac Tellechea e sua equipe. A pesquisa arqueológica teve como objetivo resgatar o maior número possível de informações sobre como era a vida dos mais diferentes grupos que habitavam o espaço físico ligado à igreja. Já as obras civis, significavam projetos complementares de estrutura, instalações, paisagismo e mobiliário.

Solar do Jambeiro

Já o Solar do Jambeiro é uma casa localizada numa chácara no bairro de São Domingos, originalmente edificada em pedra e cal. Internamente, a construção foi dividida em números de cômodos para abrigar uma família. A casa é cercada por um muro de cantaria com gradis de ferro fundido.

A influência da Revolução Industrial Inglesa á refletida nos guarda-corpos das sacadas e nos lambrequins que circundam as varandas. O Solar conta com duas fachadas inteiramente revestidas com tapetes de azulejos portugueses e beirais, constituído por telhões de louça pintadas à mão. Um padrão de azulejaria se repete em todas as superfícies, e outros diferentes formam barras, guarnições, frisas e cunhais com formatos distintos.

Foto de Zalmir Gonçalves
A data 1872 aparece sobre o vão central do sobrado, em cartela desenhada também em azulejaria. Na parte interna, destacam-se os elementos decorativos, os tetos ornamentados em estuque de gesso, as bíforas trabalhadas em madeira com bandeiras rendilhadas, além das pias de louça emolduradas por painéis entalhados em madeira, presentes na sala de jantar. O Projeto de Restauração do Solar do Jambeiro objetivou a recuperação dos remanescentes históricos e estéticos originais e das intervenções ocorridas ao longo do tempo e que se incorporam às características do prédio.

De acordo com Cláudio Valério, o grupo que estava trabalhando nas restaurações era grande, indo do técnico mais sofisticado ao mais simples operário. Ele também afirmou que todas as etapas da obra tiveram suas dificuldades.

Por Ana Paula Lima, para O Flumiense



Publicado em 07/05/2021









Informes da Câmara Municipal ao Capitão-mor Gabriel Alves Carneiro
Gabriel Alves Carneiro responde ao Presidente da Província
Ação de desapropriação do Campo de D. Helena


aaaaaa

Com formação em Engenharia Florestal, eu, Alexandre Porto, já fui produtor orgânico de alimentos e apicultor, mas hoje ganho a vida como escriba (Enciclopaedia Britannica do Brasil, Fundação de Arte de Niterói). Há 20 anos me dedico a pesquisar a História de Niterói, minha cidade natal, do Vasco, meu incompreendido time de futebol, e da Música Popular Brasileira, minha cachaça. Por 15 anos mantive uma pioneira rádio online no Brasil, a "Radinha". Pra quem quiser me encontrar nas redes, seguem os links:
Facebook e Twitter